III Ciclo de Palestras sobre Atividades em Montanha
No dia 15 de maio de 2010 se dará a Abertura Oficial da Temporada de Montanha no Pico dos Marins e região com atividades esportivas, culturais e de turismo em montanha.
O evento em sua terceira edição acontecerá na Serra da Mantiqueira no Acampamento Base Marins em Piquete – SP.
O foco das atividades são princípios de comportamento e segurança nas diversas atividades que podem ser desenvolvidas ao longo de toda Temporada de Montanha (outono e inverno).
Os palestrantes são referências em suas áreas de atuação e irão ocupar boa parte de suas falas com importantes informações e exemplos de como os visitantes podem e devem atuar pela defesa e conservação do meio ambiente, além de programas vitoriosos e implementados em parques e outras unidades de conservação ambiental.
PROGRAMAÇÃO:
- EXPOSIÇÃO DE FOTOS - Pico dos Marins
Gerson Santos, Fotógrafo de Aranha a Montanha, exporá 22 fotos coloridas no tamanho 20 x 30 mostrando as características e belezas cênicas da sua montanha favorita.
- PALESTRAS
14:00 - PLANEJAMENTO E MANEJO DE TRILHAS - O CASO DO PICO DOS MARINS
Milton Gouvêa Franco - Acampamento Base Marins / Big Mountain Promoções e Eventos
15:00 - CicloMANTIQUEIRA - Montanhismo sobre rodas
Guilherme Cavallari - Especialista em aventura, autor de manuais de trekking & mountain bike e editor de livros relacionados com esportes de aventura pela Kalapalo.
É o maior circuito de mountain bike do Brasil com 30 trilhas, em mais de 1.100 Km, conectando toda a serra da Mantiqueira.
O cicloMANTIQUEIRA traz altimetrias, mapas geo-referenciados, planilhas de navegação e dicas sobre como contatos locais, cachoeiras, pousadas e restaurantes, com tudo de bom que a Mantiqueira tem.
16:00 - ATIVIDADES DE ECOTURISMO NA APA DA MANTIQUEIRA
Clarismundo Nascimento Gerente da APA - Área de Preservação Ambiental da Mantiqueira
17:00 - PLANALTO DO ITATIAIA - Região das Agulhas Negras
Seu livro apresenta a geologia, a flora, a fauna, o clima e a preservação do Planalto do Itatiaia/RJ.
18:00 - EXIBIÇÃO DE FILMES
- Expedição ao Cerro Bonete de Renata Falzoni
- Karma de Elizeu Frechou
No domingo dia 16 haverá subida ao Pico dos Marins com acompanhamento de guias e monitores ambientais, saindo da BASE MARINS às 7:00 hs (Custo R$ 25,00 por pessoa).
Felipe Dallorto e Flávia dos Anjos encontram em alto mar, a modalidade que se tornou famosa na Espanha e Tailândia, mostrando o potencial brasileiro ainda pouco explorado
Por Emanuelle Oliveira
Foi preciso toda uma logística para chegar ao lugar certo e inaugurar cinco vias em rochas verticais e negativas onde a única saída é caindo no mar. Foi isso que os cariocas Felipe Dallorto e Flavia dos Anjos fizeram desde a última quarta-feira, (21/04), na Ilha do Farol, em Arraial do Cabo, um pedaço do paraíso em plena Costa do Sol, na região fluminense do Estado do Rio de Janeiro. Águas azuis e rochas brancas formaram um cenário paradisíaco que combinado ao psicobloc, tornou-se uma aventura inesquecível.
A modalidade, que requer alto nível técnico em escalada, preparo físico eficiente, forças nos dedos e controle da adrenalina para encarar paredões com mais de 10 metros de altura, onde a única saída é uma queda livre em alto mar, está sendo explorada pelos escaladores, que voltaram eufóricos com o novo local. 'Há inúmeras possibilidades de psicobloc, e, a sensação, o lugar, nos remetiam, o tempo todo, as imagens que temos de Mallorca, na Espanha. Mar azul, águas cristalinas, paredes negativas, pôr-do-sol exuberante e vários golfinhos', descreve extasiado Felipe.
'A Ilha do Farol, sem dúvida alguma, é um paraíso para se praticar psicoblocs e tem tudo para ser referência na modalidade no país', afirma Flavia dos Anjos, que ao lado de Felipe conquistaram cinco vias, colocando a região como endereço certo para a pratica. 'Foram apenas 5 linhas, mas vimos muitas paredes. Nos faltou tempo, pois o lugar é surpreendente', continua a escaladora, que ficou hóspede na cidade durante quatro dias. Todavia, a expedição ficou longe de ser um mar de rosas. Nas três saídas, o barco quebrou, e por pouco, a aventura não foi por água abaixo.
'O barco que alugamos quebrou duas vezes e tivemos que ser rebocados. Depois disso, achávamos que não ia rolar nada e passamos a ficar frustrados', recorda Flavia. 'Nós vimos as paredes, sabíamos que tinha alguma coisa na ilha', disse angustiada com a situação. 'Não foi moleza não, passamos alguns perrengues, ficamos à deriva no mar e não conseguimos escalar. Começamos a pensar que essa trip não seria uma boa', acrescenta Felipe. Porém, no segundo dia, tudo se fez novo.
'Acordamos com a promessa de que o barco seria consertado, e às 11 horas, já estávamos embarcados e zarpando. Mas a zica apareceu de novo e desta vez, nem conseguimos sair da enseada. Ficamos com o coração na mão achando que o mar estava contra nós, mas, de repente, surgiu um anjo e seu barco 'Estrela de Davi' no meio do oceano que rebocou a gente e acabamos negociando com ele na mesma hora. Trocamos de barco e fomos atrás dos psicoblocs', conta Dallorto com ar de alívio.
Conquistas
Ao chegarem no destino, o esforço e a perseverança foram recompensados. 'Quando avistamos, ficamos embasbacados, pois existem milhares de possibilidades de psicobloc. Ficamos até perdidos para escolher em qual parede entrar primeiro', diz Felipe. A primeira investida aconteceu no setor da Fenda de Nossa Senhora. 'É uma parede vertical, levemente negativa, e foi ali que surgiu a primeira via que batizamos 'Eu acredito em milagres', belo nome após tantos perrengues', conta.
Outras quatro vias de psicobloc apareceram na primeira expedição em alto mar. 'Após a Fenda de Nossa Senhora fomos para o setor do Buraco do Meteorito. Uma parede bem negativa com agarras sólidas onde pudemos homenagear nosso salvador conquistando a via 'Estrela de Davi'', diz Flavia dos Anjos. 'A empolgação era grande, pois já estávamos praticando psicobloc, ou melhor, conquistando o desconhecido. Mar azul, águas cristalinas e belezas exuberantes alimentavam nossos olhos e almas. Seria aqui a Mallorca brasileira?', delira Felipe.
'Estávamos praticamente cercados por paredes, era difícil escolher qual seria o próximo setor. Mas a resposta chegou fácil quando encontramos uma das paredes mais bonitas do dia. No setor da Gruta do Coelho, abençoados por um pôr-do-sol lindo, conquistamos a via Perfume da Gaivota'. Com os braços cansados, outras opções foram aparecendo e a necessidade de encontrar forças para continuar foi decisiva.
'Voltamos em direção ao Boqueirão, com desejo de ir para a pousada, mas no caminho não resistimos após ver uma miragem. Uma fenda alucinante bem vertical, em oposição, em laca, nos chamou atenção. Era o filé do dia, sem móveis, cordas, baudriers, estávamos lá, solando aquela bela fenda de 20m. Nome da via ficou Cavalo Marinho por causa de suas curvas. Chamamos de Setor da Fendas que fica logo após o Buraco do Meteorito', descreve Flavia.
Mas, a cada contorno na ilha, novas possibilidades foram aparecendo. 'Os braços estavam bombados, lesionados e o corpo cansado, só que tivemos que ganhar energia novamente. No setor que fica na enseada após a Gruta Azul encontramos uma parede negativa, de agarras abauladas que nos chamava. Sem dúvida nenhuma, foi a via mais difícil do dia. Uma bela linha, em parede com muitas possibilidades, encerrou as conquistas com a via Canoa Quebrada'.
Após tanto trabalho, Felipe Dallorto e Flavia dos Anjos foram contagiados com uma cena digna do paraíso. 'Depois de algumas lutas, fomos abençoados não só pela possibilidade de conquistar várias vias. Na volta, fomos recebidos por uma orquestra da natureza, com mais de trinta golfinhos que cercavam nosso barco assoviando seus sons magníficos encerrando o dia', comemoram.
Oportunidades
Felipe Dallorto, escalador com mais de 11 anos de atividades em montanhas no Rio de Janeiro, em especial, em Jacarepaguá, onde inaugurou há dois meses um centro de escalada indoor, ao lado de Flavia dos Anjos, está se dedicando a modalidade psicobloc. 'É como entrar em um mundo desconhecido. É uma escalada pura, sem cordas, sem equipamentos. Nela, você nunca sabe o que vai encontrar pela frente, está sempre entrando 'on sight', ou seja 'à vista'', explica Felipe, pioneiro no país.
A primeira vez que ele teve oportunidade de escalar sem cordas foi no quintal de casa, no Parque Estadual da Pedra Branca, mas precisamente no setor da Pedra Hime, em Jacarepaguá. Mas Felipe e Flavia queriam mais. Graças ao patrocínio da Nicoboco, empresa nacional conceituada no mercado de surfwear, street e sport wear, que fechou contrato de patrocínio com a dupla recentemente, o desejo de conquistar ilhas para a pratica do psicobloc só aumentou.
'Ficamos muito felizes com a aceitação da Nicoboco em investir na escalada. E por isso, estamos nos dedicando para sempre associá-los a trabalhos positivos e inovadores no esporte. Expedições em ilhas em busca das paredes que possam proporcionar o pisicobloc, acreditamos que têm tudo a ver com a marca que vem do surf', conta Flavia, competidora e atleta há nove anos.
Arraial
Antes de colocarem o pé na estrada, Felipe e Flavia estudaram as possibilidades de encontrarem as condições ideais. A primeira saída do casal ocorreu no último dia 18. O destino foi o arquipélago de Cagarras, ilhas que ficam em frente às praias de Ipanema e Leblon, sendo avistadas também em outros lugares da orla carioca. 'Fomos até o filhote da Ilha Redonda a procura de psicoblocs, mas, infelizmente, não rolou, pois as paredes eram muito positivas e acabamos explorando boulders na Ilha Comprida', revela Felipe.
A trip foi composta por Arthur Estevez, Michelle Bouhid, Julio 'Juba' Blander, do programa ActionBrasil.tv e Daniel Virgínio. 'Exploramos quase todas as ilhas existentes, mas não vimos nada onde pudéssemos praticar psicobloc, somente muitas paredes positivas com mar batido e pedras nas bases. Ficamos um pouco desanimados, mas não perdemos o dia, graças ao Arthur que já conhecia um pouco das ilhas e sugeriu que fossemos para a Ilha Comprida. Curtimos blocos alucinantes como o 'Barbas de Sangue' e 7c/8a', diz Flavia.
Com o desejo de praticar o primeiro psicobloc em mar no país, a cidade de Arraial do Cabo virou alvo certo. 'Tudo começou com Cláudio Brisighello, webmaster do Escalada Café, que nos mostrou uma foto do Filhote da Ilha Redonda onde parecia ter um arco para psicobloc. Sem sucesso nas Cagarras, ligamos imediatamente para Flávio Carneiro, do C. E. Limite Vertical, que já havia conquistado vias em móvel na região de Arraial do Cabo. Após vinte minutos de conversa estávamos convencidos que o lugar tinha um grande potencial', conclui Felipe.
A Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) comunica a realização da 23ª edição da Abertura de Temporada de Montanhismo (ATM 2010), que acontecerá das 9h às 17h, do dia 25 de abril (domingo), na Praça General Tibúrcio, localizada na Praia Vermelha, Urca, Rio de Janeiro.
Neste ano, com a publicação do decreto nº 31906 (Diário Oficial de 18 de fevereiro), assinado pelo prefeito Eduardo Paes, a ATM passou a constar no calendário de eventos oficiais da cidade do Rio de Janeiro.
A Abertura de Temporada de Montanhismo tem entrada gratuita e conta com a participação de tradicionais clubes e entidades de montanhismo.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Secretária Municipal de Meio Ambiente (SMAC) também estarão presentes.
Este ano, quem comprar uma camiseta da ATM, concorrerá a brindes que serão sorteados no final do evento. As camisetas estão à venda nos clubes de montanhismo.
Para maiores informações, acesse: www.femerj.org ou entre em contato com a Comissão Organizadora da ATM 2010 (waldecyml@terra.com.br ).
A pratica do montanhismo em geral, vem crescendo muito e com este crescimento também vem o refinamento das técnicas, bem como a modernização dos equipamentos, tanto para uma simples caminhada quanto para um big wall.
Neste pequeno post., postarei um vídeo que achei na net, bem como o link para acesso direto ao site, para quem tiver vontade de saber um pouco mais sobre o assunto.
Quando comecei a escalar, no início do ano 2000, quase não se falava em proteções removíveis, pois estas custavam muito caro, aqui no brasil, principalmente no RJ se usava e usamos até hoje os grampos “P”, grampos estes que já foram usados em muitas vias clássicas aqui do Rio. Estes grampos, composto de um tarugo(corpo) de aço e um olhau também de aço, porém mais fino que o tarugo(corpo), unidos atravéz de solda. Estas proteções são muito usadas aqui no brasil justamente pelo seu custo beneficio... afinal, qual escalador não gostaria de encher a boca e poder falar q tem uma via equipada com chapas ou fixos importados e de ótima qualidade.
EXEMPLOS DE PROTEÇÕES FIXAS:
grampo "P" chapeletas - Bonier
Depois de alguns anos, ouvi falar nos fantásticos colinox da Petzl, sendo um conjunto composto de um grampo forjado, em aço e sendo sua aplicação bem diferente das nossas proteções fixas usadas aqui no Brasil, os famosos grampos “P”. Da mesma forma q o “P”, para aplicar o colinox, também se faz um furo até certa profundidade onde o grampo chegue bem ao final do furo e fique bem preso, porem neste caso, o colinox deve-se colocar um bastãozinho de cola química e ai sim o colinox, feito isso e só ir encaixando o grampo ao furo até que o mesmo chegue ao fundo...
colinox- Petzl quimico - Petzl
Estas proteções fixas sempre estiveram presentes as conquistas das vias de escalada, até que ficou um pouco mais em conta as proteções moveis... Hoje, com menos de R$1.000,000 (mil reais) consegue-se comprar um jogo de móveis ativos e por menos de R$300,00 (trezentos reais) um jogo de móveis passivos... ”ISSO AK NO BRASIL!!!”.Onde a alguns anos atráz isso era só um sonho para muitos de nós.
EXEMPLOS DE PROTEÇÕES MÓVEIS:
NUT'S (PASSIVA) , FRIEND (ATIVA) E BALL NUT (ATIVA).
A NOVA PROTEÇÃO:
Esta entrando no mercado um novo tipo de proteção móvel, de climb tech, este novo produto lembra muito o ball nut, só que ao inverso de ter a cabeça quadrada com uma meia esfera móvel, esta tem um corpo e uma estrutura tubular, que segundo me pareceu, esta entrando no mercado para substituir os grampos, que quando são fixos, ficam permanentemente presos a rocha, até se decomporem ou que outros troquem os velhos e gastos por novos. Então. Esta proposta destes novos “grampos” móveis... e a de se fazer uma escalada mais limpa ainda. Ai veio uma questão em minha cabeça...será que eles realmente substituiriam os grampos fixos. Seria bom em vias a beira mar, pois as proteções não ficariam expostas diretamente ao tempo... porém em uma via longa, será muito mais tralha para carregarmos, e imagina isso em uma conquista....até porque no vídeo que acompanha este texto, me parece que o furo tem que ficar bem mais fundo que o normal para se colocar nosso famoso grampo “P” ou até mesmo uma chapa.
Bom e isso...acho que vale a pena dar uma olhada nos vídeos!!!
Kittelmann era considerado um dos pioneiros no montanhismo gaúcho, tendo iniciado suas conquistas na década de 1950.
Edgar Kittelman era um dos precursores do montanhismo no Rio Grande do Sul. Poliatleta, seu Edgar venceu problemas na infância, como poliomielite e paralisia infantil, se destacando em várias atividades esportivas, como: natação, ciclismo e canoagem.
Entretanto nada na vida de Edgar marcou tanto quanto sua atuação no montanhismo. No ano de 1950, Kittelmann e Sérgio Machado, então presidente do Clube Excursionista Farroupilha, decidiram alcançar o topo do Pico dos Gravatás, localizado no conjunto de morros de Itacolomi.
Na época, não existiam equipamentos de escalada no Brasil, muito menos informações técnicas de como usá-los. Foram dois anos de pesquisa e preparação até que, com auxilio do professor Giuseppe Gâmbaro, que tinha experiência em esqui, adquirida na Itália, que a equipe de Edgar conseguiu conquistar a primeira via de escalada no Estado, a via Sul do Gravatas, um grau elevado para a época: 5º. Esta pequena escalada representou um grande marco e o começo de uma história muito maior, tanto para Edgar, que foi mais tarde considerado patrono do montanhismo gaúcho, quanto para o Rio Grande do Sul, que é terra de grandes escaladores que fizeram história no montanhismo brasileiro.
De todas as dificuldades, a falta de equipamentos nunca foi um problema para o Sr. Edgar,pois ele os fabricava. “Ele é (sic) teimoso feito um carneiro montês. Melhor sair da frente quando ele disser que vai escalar uma montanha ou descer um rio de corredeira. Se não tiver equipamento? Não tem problema. Ele mesmo constrói minuciosamente” Disse Orlei Jr. na ocasião do 72 aniversário de Kittelmann em 2005.
Teimoso, Kittelmann continuou indo para a montanha até a década de 2000, quando seus problemas, aliados à idade, foi tornando complicadas suas aventuras.
Edgar Kittelman, pioneiro do montanhismo no Rio Grande do Sul, completa 72 anos no dia 06 de janeiro de 2005. Confira a matéria feita com ele quando esteve visitando o INEMA em 2003.
A história do montanhismo riograndense começou há aproximadamente meio século. Edgar Kittelman, ou seu Edgar como é chamado pelos amigos, teve um dos papéis principais no cenário gaúcho dessa modalidade.
Esse jovem senhor de 70 anos, nascido em Cruz Alta, com um ano e meio mudou-se com a família para Porto Alegre. Foi nessa época que teve os primeiros sintomas da poliomielite. Na juventude, entretanto, a dificuldade da paralisia infantil foi superada. Seu Edgar driblou as limitações físicas e praticou muitas atividades esportivas, como: natação, caminhada e ciclismo.
"Eu trabalhava com meu tio como pintor em residências finas e namorava as empregadas domésticas dessas casas, que geralmente vinham do interior. Eu sempre fazia questão de conhecer os pais das moças, pois aí arranjava um motivo para viajar de bicicleta. Foi em uma dessas minhas viagens que uma mulher me disse que o seu sobrinho, Sérgio Prates Machado, tinha um clube de excursões. Fui então apresentado ao pessoal do Clube de Excursões Farroupilha", lembra seu Edgar.
Naquele tempo, com mais ou menos 20 anos, o aventureiro acompanhou os já amigos do Clube Farroupilha até o Pico do Itacolomi – uma das feições rochosas mais características do Rio Grande do Sul, cuja fisionomia lembra dois pilares isolados – onde acampariam. Seu Edgar não imaginava que neste momento começava, quase que por acaso, sua trajetória como montanhista.
"Fomos para o Itacolomi no sábado... Fiquei no acampamento entretendo as meninas, tocando gaita de boca. O Sérgio, o irmão dele e mais dois primos se sumiram, ficaram o dia fora, e à noite quando chegaram, eu ouvi uns comentários que tinham que fazer uma escada maior e que teriam que voltar no outro dia... Perguntei então, o que estavam fazendo e planejando. Descobri que eles estavam se preparando para fazer a subida ao pico vizinho, o Pico dos Corvos, que pegou esse nome porque tinha muitas prateleiras, onde os corvos faziam seus ninhos", conta.
No dia seguinte, seu Edgar ficou curioso e resolveu ir junto. "Na Pedra do Covarde fizeram uma escada... Um dos rapazes estava no último degrau, tentado continuar e o Sérgio embaixo fazia a segurança... Neste momento, ele disse para o Roberto deixar a tentativa para outra vez, que daí fariam uma escada maior. Mandou ele pegar a bandeira do clube e fincar no local que deixaríamos para retornar depois... E eu disse que poderia fazer aquilo, já que estava acostumado a trabalhar com escadas de 11 metros. Então, fui até o último degrau, olhei para cima, mas a passagem era impossibilitada pelos gravatás (espécie de planta espinhosa), pela direita também não tinha chance de ir, e à esquerda então eu vi uma plataformazinha. Coloquei o pé ali e com um impulso consegui ficar em pé na pequena plataforma, que era a parte mais difícil da subida. Lá em cima havia um arbusto que dava para amarrar a corda, e foi o que fiz. Logo, todo mundo subiu. Foi emocionante", recorda o pioneiro do montanhismo. Entretanto, não foi nessa primeira escalada que seu Edgar se apaixonou realmente pelas subidas de montanhas. "Fizemos a parte sul do Itacolomi... e depois eles queriam fazer o lado norte. E eu sempre ficava no acampamento, tocando gaita. Não estava nem aí para a escalada deles...", afirma.
A história do montanhismo no Rio Grande do Sul continua no Itacolomi...
"Era um dia de inverno e um deles gritou para eu ir lá em cima dar uma mão para segurar a corda. O rapaz que a segurava estava com muito frio e queria descer para o acampamento, já o outro que batia os grampos estava cansado de ficar pendurado, pois naquele tempo não existia cadeirinha, a gente se pendurava nas cordas mesmo. Então, ele desceu e me deu segurança para subir. Fui até um ponto e aconteceu mais ou menos como na primeira vez: para cima não dava, na direita havia um precipício, na esquerda tinha uma fenda onde pude colocar a ponta da bota e outra onde coloquei as mãos. Arriscando, sem grampo, sem nada, fiz a travessia de uns sete metros... Depois havia uma canaleta, comecei a limpá-la e consegui subir, praticamente já estava no topo de novo... Nesse meio tempo, o restante do pessoal fez a subida pelo outro lado. A namorada do Elói, um dos rapazes que estava a uns 20 metros de distância segurando a corda, pensou que ele estivesse puxando a cordada e correu pra recebê-lo, gritando - ‘Elói, meu herói! Conseguiste!’-, e eu pensei - ‘É brincadeira, eu faço as coisas e os outros recebem os elogios!’- A partir daí, decidi começar a me dedicar ao esporte", lembra entusiasmado.
Seu Edgar conta que naquela época, tudo era muito diferente. Os equipamentos eram arcaicos e não ofereciam segurança alguma. Os alpinistas na década de 50 eram chamados de loucos, e Edgar Kittelman também não escapou do comentário.
Já tentando conquistar o pico pela parede oeste, o montanhista começou a fabricar seus próprios materiais de escalada. "A parte oeste começou a ficar uma subida mais técnica... Eu descobri um grupo de escoteiros que mandou vir da Alemanha um livro, e por ele fui aprendendo como se amarra as cordas, os tipos de nós, os modelos de grampos... Cheguei a montar uma ferraria em casa, porque os ferreiros só sabiam fazer ferradura de cavalo, não acertavam o formato e cobravam muito caro... Eu mesmo comecei a fazer meus grampos, e fiz muitos... Aí já modifiquei o formato do martelo e os pinos já ficaram menores, comecei a fabricar mosquetão de cano de luz, mosquetão com rosca, tudo adivinhando das revistas que eu conseguia da Alemanha, onde tinha fotografias dos acessórios. Fui inventando e fazendo esse material sozinho, e alguma coisa ainda tenho em casa", comenta.
Atualmente, seu Edgar, mesmo com dificuldade de caminhar por causa das seqüelas da poliomielite, acompanhada de um joelho machucado após uma queda de bicicleta há alguns anos, dedica-se à canoagem, fabricando seus próprios caiaques em estilo bem artesanal.
O montanhista tem consciêcia do que representa para os jovens. "Sou um exemplo para a gurizada, pois tendo dificuldade em me locomover, nunca deixei de praticar esportes", finaliza.
Certamente o senhor é uma referência, seu Edgar. Seu nome é sinônimo de força e determinação!
DESCANSE EM PAZ, E TENHA CERTEZA ONDE QUER QUE O SENHOR ESTEJA QUE NOS DEIXOU UM GRANDE LEGADO JUNTO AO MONTANHISMO BRASILEIRO, E QUE SUA PASSAGEM POR ESTE MUNDO NÃO FOI EM VÃO!!! ATT. GRUPO CEMAR